domingo, 4 de março de 2012

O caminho

Ela se sentia sozinha, longe de tudo e de todos, como se o mundo inteiro tivesse se afastado sem nem dizer "adeus". Parecia coisa de adolescente, uma fase, só que cada dia que passava ela se sentia mais e mais só, como se as poucas pessoas ao seu redor não fossem suficientes para preencher aquele imenso vazio que ela vinha sentindo. Os dias foram passando, as semanas e os meses, e as coisas pareciam nunca mudar, tudo que ela queria era gritar, gritar e ver se alguém a escutava e esticava uma mão gentil para tira-la do escuro que se tornou sua solidão.
Um dia, ela pensou ter gritado, e uma mão escura veio lhe oferecer abrigo, ela pensou que fosse um dos seus amigos, mas não, era a solidão que havia se tornado sua companheira de todas as horas e veio para socorre-la de si mesma. Daquele dia em diante ela não se preocupou mais se estava sozinha ou não, ela tinha a si mesma, ela podia se salvar de qualquer situação que se colocasse. O sentimento de vazio não passava, mas ela continuava andando, no escuro, mas sempre andando, até que algo mais que sua solidão viesse clarear seu coração e com isso abrir o caminho de uma vida plena e feliz.
Todos os dias de escuridão durante pouco tempo, mas que para ela pareciam uma eternidade, aos poucos se tornavam experiências de vida, aos poucos a tristeza foi ficando de lado, sem nunca deixa-la, mas posta de lado, mesmo assim todas as noites, se é que era mesmo noite, ela ainda chorava, pensando quando aquele vazio seria preenchido, quando ela poderia distinguir realmente o dia da noite...
Quando parecia tudo perdido, e ela estava ao ponto de desistir, ela se lembrava de uma promessa, e ela se agarrava aquela promessa, aquela única esperança de que um dia todos os sentimentos encontrariam seu lugar dentro dela, que todos aqueles que partiram retornariam, que todas as tristezas se evaporariam como gotas de água ao sol.
A cura poderia até vir de dentro dela, mas o remédio tinha de vir de fora, ela nao podia preencher sozinha seu vazio, mas não queria passar mais tempo na escuridão, ela precisava tentar, correr, procurar... Ela era a prova de porque que os humanos buscam tanto a felicidade... Ou melhor, na realidade eles não buscam a felicidade em si, mas sim a parte que falta dentro de cada um para ser completo!

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