sexta-feira, 29 de julho de 2016
Bestante
Companheiro silencioso
em noite turbulenta
é remédio, calmante,
relaxante muscular
Derruba completamente
As ondas inebriantes
perambulam e enchem
meu quarto
os movimentos compassados
repetidos e bem ensaiados
Seduz-me, incapacita-me
não penso em nada
e ainda assim penso em tudo
Como danças,
Oh meu amado Deus
como danças
Me embriaga como a morte
me desnuda como a morte
diante a ti não respondo
mais como eu
mas sim como um outro ser
Ser fantástico, como um fauno
um bestante, criatura envolvida
em mágica e silêncio
Silêncio fervoroso
como um vulcão
à explodir em instantes
Me invade, me possui
me absorve, inspira
fumaça
fumaça
fumaça
Então, solto a última tragada
apago-o no cinzeiro
desligo a luz
nada
nada
nada
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Quietude

Certamente,
Pensas
Que sou
Louca,
Inquieta,
Tagarela,
Gritante.
Vou concordar.
Concordar
Que
Quando me
Deitas de costas e
Segura meus ombros
Passando
Lentamente
Seus lábios
Em meu pescoço
E
Descendo
Fico quieta
Bem quieta
Uma quietude
Onírica
O
Coração
Acelera
Mantem-se
Alerta
A respiração
Tardiamente
Controlada
As costas
Arqueadas
Meus olhos
Se abrem
quando carinhosamente
a sinto
próxima
Próxima
de meus lábios
Meu rosto
de perfil
aguarda
Meu corpo
aguarda
Silencioso
Calmaria
Suas mãos
Descem pela
Minha cintura
Param
Uma eternidade
Em minha bunda
Até
Que
Finalmente
A calmaria
se esvai
aos poucos
aquela quietude
onírica
perde espaço
E
eu...
Eu grito
Me afogo
Arranho
o travesseiro
Ah eu grito!
Como grito...
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Trem
Aquela chatice
esconde um coração
coração
GIGANTE
A frieza
é quente
em dias
úmidos
Minha intensidade
te anula
Meu egoísmo
te cobre
Juro,
me culpo,
se errei
foi tentando
acertar
Errei por
não saber
como te
amar
Por não
enxergar
o ar de
liberdade
que te rodeia
Eu?
Passarinho
na gaiola
Me prendo
Te prendo
Me perdoa
se não sei
ler os sinais
Se a esperança
e a culpa
me cegam
A carência
e dependência
me
ludibriam
como fumaça
A chuva não
para
de cair
lá fora
Aqui dentro
a tempestade
tenta
sem sucesso
amornar
Mas o sol
se esconde
Foge
não se deixa
reinar
Nem as
lágrimas
caem
Tudo se vai
e o corpo
treme
Como um
Trem
tentando
manter-se nos trilhos
Tudo que tenho
são memórias
Memórias
de um dia bonito
dos olhos
brilhando
e o
cabelo
escorrido.
Holocausto? Que bagunça
Entender?
De dia choras
A noite ?
Enxerga-te
Enxerga seu sorriso
Sorriso dado a uma estranha
Estranha
que rouba seu ar
perto daquela mesa
aquela porta
aquela cadeira
do bar
Música?
Não toca mais
Bebida?
Sem efeito
Você nem a sente
O beijo?
Ele sim
É
quente
embriaga
Embriagante
como aquela voz
o som tenro
lancinante
daquela voz
E todas as palavras ditas
os livros lidos
os poemas escritos
Todas as azeitonas
comidas
e não comidas
O holocausto
abnegador
de uma sociedade
"azeitonal"
Nada temível
mas sim
uma bagunça!
Sim!
Minha mente
Balança
A humanidade inteira
balança
O caos é instaurado
Silêncio noturno
entrecortado
por
pensamentos
GRITANTES
Calma!
Compreendes?
Até o mesmo
cigarro
compreendes!
Que grande camelo
prateado eu seria
Dois sabores
Duas pessoas
Reúnem-se
Explode-se
Holocausto?
Claro.
Renunciarias ?
Os céus, a terra...
O que são
algumas azeitonas
no lixo
perto do calor
o calor do
seu cachecol turquesa.
Me bagunças
Me bagunce
Bagunçadas somos.
domingo, 24 de julho de 2016
Batom preto
Meu olhar cruzou seus cabelos roxos
Esvoaçando naquela fria noite de julho
Desejei você
Não vou mentir
Antes dessa noite
Desejei você
Não como um homem desejaria
Mas sua alma
Aquela vista através de suas lentes
Desejei você
Você não queria entrar
Mas queria estar
Eu queria estar
Você entrou
A esperança me acalentou
Desejei você
Seu batom preto
O brilho nos seus olhos
O copo em sua mão
Seu corpo
Movendo-se
Os joelhos dobravam-se
Desejei você
Nossos corpos
Em mesma sintonia
Tentava sem sucesso
Esconder
Esconder essa louca vontade de você
Eu ?
Eu beijei você
Me descontrolei
A parede foi nosso único obstáculo
Nos impedindo de prosseguir
De viajar
Continuar
Voar
Cair em profundo desalento
Perdidas em nossas próprias conclusões
E o que eu tinha ?
Uma passagem de ida para o seu belo universo
Uma passagem de ida para um capítulo diferente
Desejei você
Desejei conhecer você
Fazer parte do que você é
Enxergar o que você vê
As belezas que você capturou
E o que eu tive ?
Por algumas horas
Tive seu cabelo em minhas mãos
Seu olhar de encontro ao meu
Seu perfume natural
Uma passagem de ida para o seu belo universo
Uma passagem de ida para um capítulo diferente
Desejei você
Desejei conhecer você
Fazer parte do que você é
Enxergar o que você vê
As belezas que você capturou
E o que eu tive ?
Por algumas horas
Tive seu cabelo em minhas mãos
Seu olhar de encontro ao meu
Seu perfume natural
Seus lábios
E a marca de batom preto em meu rosto
Desejei você
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Gravar você
Mais profundamente
E intimamente
Do que um mero pensamento
Queria poder gravar seu olhar em minha retina
Seu cheiro em minhas narinas
Seu gosto profundamente marcado
Sendo revisitado toda a vez que abro a boca
Queria poder gravar sua voz em meus ouvidos
Seus conselhos a cada curva errada
Do meu caminho
Queria poder não errar
Não sofrer
Não chorar
Queria ser a última pessoa que pensaria em te magoar
Aquela que só pensa em você
Você
Nunca em si mesma
Queria acalmar todos os oceanos
Do meu coração
Transbordá-lo de vivacidade
Paixão
Prazer
Queria gravá-la em minha pele
Meu peito cheio de você
Minha mente cheia de você
Um dia tudo pode e vai se perder
Mas enquanto isso
Quero gravar tudo de você
E o menos possível te
Esquecer
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