sábado, 11 de outubro de 2014

Cores, meu Deus, que cores!


Crônica feita para uma disciplina na faculdade:


Como começar a contar uma história como esta? Como transmitir ao mundo a história de dois pequenos amores? Não sei se conseguirei ser fiel aos fatos, mas tentarei...

Em uma manhã de sábado avistei ao longe, duas belas criaturas, uma vestia colorações esplendorosas, tons de preto, laranja e prata, a outra azul roial, vestia o negro também, e um leve toque de azul esverdeado nas pontas.

Logo que os avistei tratei de imaginar o que se passava em suas vidas, no que trabalhavam e se eram casados, namorados, se tinham filhos, ou até como seria se eu estivesse no lugar deles. Os questionamentos me levaram a incorporar suas vidas às minhas, “sem dó nem piedade”.

Todos os dias acordávamos cedo, dávamos beijos de bom dia, íamos juntos tomar café, trabalhávamos juntos, não tínhamos filhos, mas tudo corria muito bem em nossa vida para reclamarmos. Algumas brigas poluíam nosso relacionamento tão limpo e fazia com que perdêssemos a paciência um com o outro. Logo nos entendíamos, logo nos beijávamos e nos acariciávamos, e tudo estava resolvido.

Em uma clara manhã de sábado primaveril, passeávamos por entre árvores e flores e plantas diversas, quando avistamos alguém a nos observar atentamente, paramos, nos flagramos imaginando como seria viver a vida dela.

Era uma criatura do sexo feminino, acreditamos. Normalmente humanos com pelos compridos são fêmeas, mas não dá para ter certeza.

Imaginamos como seria ser tão grande, ter longos membros inferiores e superiores, voar pelos lugares mais distantes, sem medo de ser ferido e ou machucado por alguém maior, pois não havia de existir criatura de maior tamanho.

Questionamo-nos se ela havia de ter família, ou como nós ter um companheiro, alguém para dividir as maravilhas da natureza, alguém para se aconchegar nas noites frias e ventosas da primavera sulista.

Talvez não preocupar-se com ventos fortes, vida curta, pois sabíamos que humanos viviam por mais tempo que nós, e que davam nomes diferentes as coisas, que utilizavam formas diferentes de se comunicar, mas como seria incrível experimentar a vida daquela humana, aquela que se mostrava tão interessada em nós.

Ela se aproxima de nós, como se entendesse que estávamos tão curiosos e absortos em nossa própria imaginação que não nos importaríamos com sua presença tão próxima e repentina. Por segurança nos afastamos, mas sem deixar o ar curioso e pensativo, mergulhados em pensamentos sobre uma vida impossível.

Tive de me aproximar, o casal afastou-se um pouco, mas pareceu perceber minha inocente curiosidade, há! Aquelas maravilhosas roupas! Aquelas cores, o brilho, a magnifica ação da mãe natureza em criaturas tão pequenas.

Continuei a explorar minha imaginação para entender como eles viviam, como agiam, se pensavam, raciocinavam, tinham memórias e lembranças, tudo parecia ter sido desenhado, as asas, o corpo, as pequenas antenas, e as cores, meu Deus, as cores, como me fascinavam!

Não entendíamos o motivo de nossa tamanha imprudência de estarmos tão próximos de tamanha criatura, esta poderia nos fazer mal a qualquer momento, mas parecíamos hipnotizados por sua igual demonstração de curiosidade. Por um longo momento que mais pareceu uma eternidade, nos sentimos total e completamente em sintonia com espécie tão distante da nossa, mas que naquele instante pareceu tão semelhante.

- Alissa?! Vamos para casa querida, há borboletas em todo o lugar, estamos na primavera. Alissa pareceu não ouvir que sua mãe a chamava, estava longe de mais de casa, estava voando, voando com as borboletas. –Alissa?! Chamou a mãe mais uma vez. – Sim mãe? –Vamos para casa, não me ouviu? – Sim, claro que sim.



          E por aquele único instante eu voei como uma borboleta!

-CamilaPierzckalski

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