Você nunca sabe como vai acordar no dia seguinte ou quem vai conhecer, nunca temos muita certeza de nada, mas sempre achamos estar no controle de tudo.
Não vou dizer que é fácil sentar aqui e contar uma histórias pra vocês, se é que vai ter um "você" lendo minha história, mas, desde sempre escrever acalmou as águas turvas de minha alma, e quando alguém resolve parar pra contar uma história, sabemos que vai ter um outro alguém parando pra ler.
Uma constatação precisa ser feita, sou egoísta, eu não sei se eu sou, mas é o que todos me dizem. Eu tento não ser, mas o problema é que não sei quando eu sou, ou não reconheço, ou não concordo quando dizem que eu sou. O ponto alto dessa história é que eu sou depressivo, não que eu tenha sido diagnosticado ou algo assim, mas sei que sou, pois não é possível alguém sofrer tanto sem saber o motivo quanto eu! Não que eu queira me matar ou coisa do tipo, e não que eu já não tenha pensado, mas sou covarde de mais pra fazer algo do tipo, e, por mais que digam que sou egoísta, acho que suicídio é uma atitude egoísta de mais pra eu cometer. Para continuar essa história vou precisar de um parágrafo novo, limpo de todas essas mágoas sem explicação que carrego, apenas para mostrar o quão feliz e ilógica a vida pode ser. A partir do parágrafo a seguir a realidade e a fantasia se misturam, então tente não se perder...
Terei de começar do principio o que pode nos tomar algum tempo... Em 2013 muitas coisas malucas me aconteceram, quem me conhece e está lendo essa história vai saber do que estou falando. Nunca imaginei que ia gostar de alguém ao ponto de excluir a mim e viver apenas pelo outro, claro que eu estava errado, mas amor e paixão são sentimentos meio errados se é que vocês me entendem.
Meio que por causa desse relacionamento "doentio" eu cheguei aonde estou agora! Ai vocês se perguntam: "Hã... No fundo do poço?" Não! Eu não estou no fundo do poço, OK,OK todo relacionamento que dura por muito tempo e acaba fracassando no final deixa sequelas, e bem profundas, mas tirando os altos e baixos dos meus sentimentos que oscilam entre tristeza 100% e tristeza 50% (sim nunca estou completamente alegre), eu posso dizer que 2015 começou com o "pé direito", é claro se você excluir o tombo de bicicleta dessa semana que me proporcionou alguns roxos bem doloridos. Tenho que parar de me distrair... OK, a história!
Conheci alguém! Não um namorado, "peguete", sexo casual ou coisa do tipo e olha que gosto de um sexo casual, afinal quem não gosta de ter prazer sem as complicações do dia seguinte? É ilógico e irreal pensar que ninguém jamais gostou de uns "amaços" sem compromisso. Mas enfim, conheci alguém, talvez minha alma gêmea, mas acho que ele é gay! Não, eu não acho, eu tenho certeza!
Você deve estar pensando: "Pobrezinho, sai de um relacionamento frustrado e agora se apaixona por um gay?"
Pois é! Me pegaram, de hétero pervertido me apaixonei por um homossexual. E ele é incrível, somos iguais, perfeitos um para o outro, nunca me identifiquei tanto com uma pessoa quanto com ele, mas é loucura, ele não ia ME querer.
Bom, golpe de sorte ou não (SIM ELE ME QUIS E EU ESTOU GRITANDO MENTALMENTE PRO MUNDO) ele me quis. Vou contar como aconteceu:
Em uma bela quarta-feira de fevereiro, fizemos um piquenique, e andando após o piquenique em direção a nossas respectivas casas, eu peguei a mão dele, loucura eu sei, foi espontâneo, nem um pouco planejado, mas não soltei mais, quando chegamos na parada do meu ônibus ele me beijou, e foi um beijo inacreditavelmente incrível!
O hálito dele na minha boca, os movimentos sincronizados das nossas línguas, o som do coração dele batendo contra o meu, a respiração silenciosa mas presente, as pequenas mordidas que ele dava em meus lábios, eu estava ali, mas estava muito longe. Quando paramos eu não sabia mais onde estava, pra onde eu ia ou quanto tempo havia se passado, eu nem sabia se ainda era eu ou se eu era ele, só sentia a respiração dele próxima ao meu rosto, as mãos suadas dele contra as minhas mãos suadas, o seu batimento cardíaco acelerado junto ao meu batimento cardíaco acelerado.
Claro que não peguei ônibus nenhum aquele dia, fui pra casa dele, eu nunca tinha feito isso, mas ele queria que eu fizesse, não ele. Ele estava disposto a me ensinar tudo, todos as formas e jeitos que facilitavam e davam mais prazer tanto a ele quanto a mim. Foi uma noite deslumbrante, nunca pensei que me sentiria assim, que viveria até esse dia, que amaria alguém de forma tão intensa ao ponto de mudar todo o meu mundo, e eu nem mesmo me opor a isso.
Sei que minha história parece clichê, que héteros se apaixonando por outros homens poluem as literaturas mais desgraçadas, mas essa história vai surpreender você, do mesmo jeito que eu me surpreendo a cada dia.
Continua...
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