Posso não ter as respostas e talvez nunca encontrá-las, mas quero tirar o melhor das experiências incríveis que andam me proporcionando, essa semana foi difícil, mais fácil que as anteriores, mas estou sempre em momentos difíceis, sempre superando obstáculos que eu mesmo me impus, mas vou conseguir, vou sair desse labirinto.
Acabei de notar que não nos apresentei formalmente, meu nome é Pedro e esta é minha história, meus anseios, vocês são meu subconsciente, e quase sempre os ignoro, menos é claro quando vocês estão me lendo, nesse momento minha atenção é toda de vocês, meus olhos e ouvidos, meu corpo aguarda por vocês, ansioso pela resposta que me darão. Meu namorado é o Léo e minha melhor amiga é a Flávia e todos nós nos tornamos um só quando estamos aqui, somos os narradores, os protagonistas e os expectadores, somos tudo e ao mesmo tempo não somos nada.
Léo
eu estava andando pela rua quando o vi pela primeira vez, ele era baixinho, engraçado, aquele tipo de pessoa meiga, não sei o que me deu, só sei que me apaixonei. bobagem, ninguém se apaixona assim, mas ele tinha de ser real, então ele foi.
primeiro dia de aula:
nossas aulas sempre começam antes das de todo mundo, mas terminam antes também, eu ainda não me recuperara da visão do menino-sem-nome da rua mas estava ansioso pelas aulas, último ano, deu de ensino médio pra mim, faculdade significa liberdade, sem amarras, sem preocupações com panelinhas e discriminações, sem olhares tortos, apenas eu, lindo, livre e feliz!
chego na escola, sem muita empolgação pois a primeira pessoa que enxergo é o Marlom, menino chato, o tipo de adolescente cheio de testosterona, pedindo por mulheres, ou melhor xoxotas ambulantes, ridículo. não o deixo me ver, tudo que menos preciso é abrir a caixinha de lembranças ruins com o Marlom. ele me vê, odeio quando ele me olha daquele jeito, eu sei o que ele quer, ele quer a mim, mas não pode, o que as pessoas pensariam dele? ano passado nós ficamos, eu fiquei totalmente surpreso, não esperava mesmo, ele vivia me provocando, me xingando, usando todo o tipo de palavreado xulo e ofensivo, quem ia esperar que, justo ele, era na verdade, um menino com, digamos, sentimentos reprimidos. mas o que ninguém esperava era que iriam nos pegar fazendo isso, eu, sou assumido nessa escola desde a primeiro ano do ensino fundamental, já ele? bom eu falei da testosterona né? enfim, ele me bateu e disse que eu era, hmm... uma bichinha escrota e que não tinha o direito de agarrar alguém como ele.
vocês imaginam como eu fiquei, não entendi nada, ele me pediu desculpas depois, ficamos mais algumas vezes e, sabe, aquela coisa do escondido é bom, é emocionante, excitante e tal, mas chega uma hora que você quer andar de mãos dadas, quer receber um carinho na rua, não andar escondido por ai.
desvio o olhar, não posso mais gostar dele, não desse jeito. mais um motivo para desejar a faculdade com cada átomo do meu ser, mudança, ar fresco, preciso de ar fresco.
para tudo! não é possível, é ele, o menino-sem-nome da rua, não pode ser, não pode ser real, sim é ele! ninguém tem bochechas iguais aquelas, que vontade de morder ele todo, ai gente não acredito, ele beijou uma menina, não, ele usa aliança? ok, esse não vai ser meu ano, sério mesmo, vou ali me matar e já volto, sem noção né Deus? não podia ser gay né? tinha que ser justo hétero com namorada. ele esta me olhando, eu to vendo, ele me viu também, vou parar de olhar, para de olhar LEONARDO, não paro claro, ele se aproxima, mais perto, mais perto, acho que estou babando, fecho a boca, ele fala, gente que voz é essa?
- Oi, sou o Pedro, poderia me dizer onde é a 301?
fala seu idiota, porque você não ta falando, ele ta me olhando, to demorando de mais pra responder, e consigo falar meio roco, sai uma voz escrota na verdade, mas enfim:
- Sou o Léo, sei sim, pode vir comigo é a minha sala também. ele diz que já volta, se despede da namorada nojenta e recalcada dele e volta pra mim, estou nas nuvens com ele andando ao meu lado, nem sei mais sobre o que ele ta falando, ele cheira tão bem, e nossa aquela voz, porque uma voz tão linda? ele senta do meu lado na sala, conversamos, passamos o recreio juntos e ele me apresenta a Melissa, sua namorada nem um pouco amada no meu subconsciente, mas ela até que é legal. de volta a aula trocamos telefone, facebook, twitter, tudo, conversamos mais, e quando não conversamos as vezes nosso olhar se encontra quando o professor fala algo que por coincidência somos os únicos a acharem engraçado, rimos um pro outro e continuamos a escrever no caderno.
que dia, mas que dia mais sensacional, vou pra casa em êxtase, acho que sei como é a coisa dos orgasmos múltiplos femininos depois de hoje. chego em casa e tem uma mensagem dele (tendo orgasmos múltiplos de novo): Léo, obrigado por hoje, sem você teria ficado perdido, acho que vi você na rua um dia, mas posso estar louco, enfim a Mel adorou você, ela acha que você é fofo, abraço cara.
ai esses héteros me matam, claro que a Mel (falo isso em um tom total e completamente sarcástico) sacou que sou gay e me quer como seu chaveirinho pessoal, odeio meninas que pensam que podemos ser seus melhores amigos só porque não queremos comer elas e elas podem andar nuas alegre e livremente na nossa frente...
no dia seguinte eu estava ansioso para ver o Pedro, queria muito sentir aquele perfume de novo, sério eu estou pirando, não posso pensar nele dessa forma, enfim, lá está ele sentado ao lado da minha classe, me esperando, ele não está tão bonito hoje, na verdade ele está péssimo (faço uma cara de espanto mental), me aproximo dele, ele me cumprimenta com um aceno de cabeça, me sento, olho pra ele e pergunto o que aconteceu, ele me alcança o celular e leio:
Pedro, sinto muito mas não posso continuar com você, não se preocupe a culpa não é sua, sou eu que sou muito confusa, tenho problemas de mais e os seus e os meus juntos, são de mais pra mim, preciso de um tempo pra mim, me amar um pouco, cuidar de mim, eu te amei muito pedrinho, mas faz muito tempo que esse amor vêm se apagando, desculpe, espero que um dia consigamos ser amigos, mudei de escola como já tinha te dito que faria, fique bem. Com amor, Mel.
eu juro que fiquei chocado, mensagem de texto? sério? garotinha idiota, mereceu meu desprezo, acho que tenho que falar algo, não sei o que falar, apenas sou sincero:
- Olha Pedro, eu sei que isso é uma droga, mas vai passar, juro pra você que passa!
- Obrigado cara, que bom que te conheci.
- Digo o mesmo cara, digo o mesmo. não acredito que falei "cara" sério mesmo, não acredito!
algumas semanas depois éramos melhores amigos, eu respeitava ele, ele sabia que eu era gay, eu contei, assim que tive a oportunidade, não queria que ele ficasse apenas com a impressão que a Mel (tom sarcástico de novo) deu à ele sobre mim e sobre os gays em geral.
um dia fizemos um piquenique, coisa bem bobinha, mas sou romântico, não que eu tivesse feito com essa intenção, mas fiz, ficamos um tempão conversando, fui levar ele na parada e, nem sei como dizer, ele pegou a minha mão, achei que fosse algo, não sei, impulsivo? carência? enfim, não soltei a mão dele óbvio, na parada ele ficou me olhando sem largar a minha mão, eu entendi o recado, então o beijei, nem sei como descrever aquele beijo, não sei como explicar o que senti, mas eu flutuei dali, eu viajei tão alto, mais tão alto que me perdi de mim, me encontrei nele, me esvai nele. quando nos separamos foi como se o mundo inteiro ficasse cinza de novo, cheguei mais perto, o beijei mais uma vez, não podia deixar aquele momento passar, levei ele pra minha casa, meus pais quase nunca estavam em casa, e naquele dia não foi diferente.
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